A dimensão literária da genealogia em Foucault

Daniel Verginelli Galantin

Resumo


Neste artigo propomos estabelecer uma comparação entre escritos de Foucault sobre a literatura, notadamente seu livro “Raymond Roussel”, e textos que se consagraram pela fortuna crítica enquanto fundadores da genealogia, especificamente “Nietzsche, a genealogia e a história”. Organizamos essa comparação em torno da repetição do uso de duas figuras: i) a proliferação de máscaras enquanto processo de desidentificação e ii) uma experiência da finitude com viés não fundacional. Sustentamos que a recorrência da multiplicação das máscaras para apagar o rosto, assim como a íntima relação entre linguagem e morte, a qual se desdobra, no artigo sobre Nietzsche, nos termos do sacrifício genealógico do sujeito de conhecimento, é sinal de que Foucault estaria se apropriando de certos elementos do pensamento literário que lhe interessavam na década de 1960. Contudo, essa segunda apropriação ocorre mediante algumas mudanças, notadamente com sua mudança de solo, de uma reflexão voltada para o ser da linguagem na modernidade, para uma genealogia histórica. Finalmente, esboçamos uma terceira e última apropriação do pensamento literário por meio de seus escritos derradeiros. Trata-se de uma atitude-limite que passa por uma ontologia crítica e histórica de nós mesmos.


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Referências


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