Cogito, sentimento e afetividade em Malebranche

Sacha Zilber Kontic

Resumo


O artigo analisa o modo como Malebranche apresenta o conhecimento que possuímos de nossa própria alma a partir da noção de sentimento interior. Para tanto, tomamos como ponto de partida a concepção malebranchiana do argumento do cogito, opondo-a a de Descartes, tomando-o como uma constatação imediata da existência de algo que sente, sem, no entanto, poder afirmar algo sobre sua essência. O conhecimento da alma torna-se assim algo puramente afetivo, sem nenhum conteúdo positivo, e por natureza distinto do conhecimento propriamente dito. Buscamos assim mostrar como, na filosofia de Malebranche, cria-se um campo propriamente humano do sentimento cujo conteúdo é irredutível a qualquer ciência clara e distinta, ao mesmo tempo em que é constatado pela experiência vivida.


Texto completo:

PDF

Referências


ALQUIÉ, F. “Le Cartésianisme de Malebranche”. Paris: Vrin, 1974.

DESCARTES, R. “Oeuvres de Descartes”. (Adams, C. e Tannery, P. ed.). 11 vols. Paris: Vrin, 1971.

GUEROULT, M. “Étendue et psychologie chez Malebranche”, Paris: Vrin, 1939.

________. “Malebranche, vol. 1: La vision en Dieu”. Paris: Aubier, 1955.

LEIBNIZ, G.W., “Nouveaux essais sur l’entendement humain”. Paris: GF Flammarion, 1990.

________. “Opuscules philosophiques choisis”. Paris: Vrin, 2011.

MALEBRANCHE, N. “Oeuvres complètes de Malebranche” (Robinet, A. ed). 21 vols. Paris: Vrin, 1958-1970.

RODIS-LEWIS, G. “Malebranche”. Paris : P.U.F., 1963.

SCHMALTZ, T.M. “Malebranche’s Theory of the Soul: a Cartesian Interpretation”. New York: Oxford University Press, 1997.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.